Breve historial de Portimão ...

O Algarve

Felizmente, na actualidade, estão disponíveis nas bibliotecas públicas, no país e no Algarve, obras que registam o nosso passado remoto e mais próximo. Por este motivo, apenas incluiremos algumas notas sobre a nossa Província.

Nos séculos V e VI da nossa era, os povos do Norte invadiram a Península Ibérica. A Lusitana era uma manta de retalhos. Lutas e crises internas e os Árabes, segundo uns, foram solicitados para por em ordem os desordenados, segundo outros, os Árabes aproveitaram a divisão e as crises, e fizeram a invasão.

 

Uma coisa é certa, convidados ou não, acabariam por ficar por estas bandas, nada menos do que quinhentos anos.

D. Afonso Henriques não conseguiu retomar o Algarve aos Árabes, eu seu filho, neto e bisneto, levaram a cabo a reconquista geral da nossa Província.

D. Afonso III, em meados do século XIII, foi o primeiro rei de Portugal, a usar o título "Rei de Portugal e do Algarve". Depois de 1415, com a tomada da Praça de Ceuta, os monarcas portugueses começaram a denominar-se, reis de Portugal e dos Algarves.

Quanto aos forais, foram dados vários, mas recordemos o que concedido por D. Manuel I, a 1 de Junho de 1504. Cf. Nunes, p. 20, " Em 1504 D. Manuel d+a foral a Portimão, que a reforma o que lhe havia sido dada por Afonso III, quando era ainda um simples lugar, segundo referência do mesmo foral".

Os Capuchos são de 1530; Os Jesuítas são de 1560.

Não se deve esquecer que a Província de Algarve, tem dado muitas figuras: políticas, como o Presidente da Republica, o Sr. Manuel Teixeira Gomes, e também em  nossos dias, um Primeiro Ministro, e actualmente Presidente da Republica, o Dr. Aníbal Cavaco e Silva, religiosas como o célebre bispo de Silves, D. Jerónimo Osório, que juntamente com Damião de Gois, foram grandes figuras do renascimento em Portugal, no século XVI.

Mais adiante faremos alusões históricas especificas a Portimão, sendo por isso que nesta parte do nosso historial, nada dizemos da antiga Vila Nova de Portimão.

Lagos também fora capital da Província Algarvia, com estas palavras: "Silves foi capital do governo das armas do Algarve, desde D. Sancho I até D. Afonso IV, que mudou para LAGOS", (Pinho Leal, Tomo, p.379).

 

Religiosidade

Negar a religiosidade dos seres humanos é como negar a realidade da morte corporal dos mesmos. O Homem é um ser religioso. Quem se der ao trabalho de ler sobre a religião, constatará que a grande maioria dos povos, possuem suas crenças, ritos, ministros, dogmas e liturgias.

As Populações algarvias de ontem e de hoje, ainda que digam o contrário, demonstram ser religiosas.

No decorrer dos tempos, acreditaram no Panteísmo, isto é, a fusão do Criador com a criação. Por influência dos judeus, essa confusão para muitos deixou de existir, pois Deus é Criador e Senhor. Querem alguns historiadores que os judeus tenham chegado à Ibéria, antes do profeta Obadias, pois que este faz alusão aos judeus que tinham vindo de Jerusalém para Sefarad (v. 20).

Quanto aos cristãos e de acordo com Actos 2:10 e Romanos 15:24 e 25, não é descabido de todo, pensar-se estariam no Cenáculo cidadãos idos à festa do Pentecostes e ao regressar a suas terras, dessem inicio à divulgação da sua fé cristã. Não há certezas absolutas se São Paulo veio ou não à Hispana, mas que ele tencionava visita-la, não restam duvidas.

Sabe-se que nos séculos III da nossa era, existiam já Comunidades cristãs, em algumas cidades da Península Ibérica, registou no seu interior, duas correntes, uma, que dependia de Roma, outra que defendia a autonomia das Igrejas Locais. Eram os católicos e os Priscilianos. Estes muito sofreram, contando mesmo com uma meia dúzia de mártires.

Referimos acima que no século V d.C. os povos do Norte, os Visigodos, entre eles, eram cristãos unitaristas, isto é, não acreditavam na trindade.

Uma questão relacionada com os Priscilianos, continua aberta: Eram Trinitários ou Unitaristas?

Uma coisa é certa, os Priscilianos desejavam formar igrejas com doutrinas bíblicas. O seu Movimento viveu entre 370 - 372. Neste ano ainda eram referidos.

No Século VIII chegaram os árabes e mouros, cuja religião por eles professada era o Islamismo. Digam o que disserem, os árabes e mouros, se tiraram proveito para si mesmos, menos verdade não é, que foram eles que desenvolveram a agricultura e as artes.

Como já dissemos na introdução, desde os meados do século XIII, os Católicos Romanos é que foram os agentes para o desenvolvimento das regiões do Pais, inclusive o Algarve.

Foi na nossa Província que em 1487, numa tipografia de Faro, foi impresso o primeiro livro em Portugal, precisamente o PENTATEUCO, em Hebraico.

"A mudança do bispado de Silves para Faro, decretada por Nicolau II, em 1539", (cf. Portimão de Joaquim António Nunes, p. 13).

Silves foi capital do Algarve desde o século XIII até o século XVI, quando por de marches do Bispo Jerónimo Osório (c. 1510 - 1580), com o apoio do Papa Gregário XIII, em 1577, não só a sede episcopal mudou para Faro, como a respectiva capital do Algarve (Pinho Leal, p. 378). Não era a primeira vez.

Bacalhau, atum, sardinha, conservas; Praias

Em 1834 foram extintos vários Conventos, a saber, dos Franciscanos, dos Carmelitas descalços e calçados, paulistas, Agostinhos Calçados e outros.

Pinho Leal, onde colhemos alguns dados Históricos, informa-nos de que ainda que por pouco tempo...

 

Portimão

O núcleo urbano de Portimão remonta ao século XV, tendo sido nesta data iniciada a construção das suas muralhas, as quais limitavam um polígono irregular, que se estendia da margem do rio para o interior.
Na sequência da formação deste núcleo urbano e do seu crescimento, esta terra recebe o titulo de vila e o foral em 1504, por D. Manuel I. Porém, a partir do século XVIII, as muralhas já não satisfazem as necessidades militares de defesa, tendo sido absorvidas pelas habitações construídas extra-muros, resultantes da expansão da vila. Ainda hoje esse facto pode ser constatado através dos panos das muralhas adoçados às casas, entre o Postigo dos Fumeiros e a Porta da Serra e entre esta e a porta de São João.
Dado o desenvolvimento económico e social e o consequente crescimento demográfico e territorial de Portimão, Manuel Teixeira Gomes, personagem ilustre da terra, escritor, comerciante e político, eleito presidente da República em 1923, eleva Portimão a cidade em 1924, daí resultando a escolha desta data para assinalar as comemorações do dia da cidade.

 

Pré-história - Alcalar

Em Alcalar, na freguesia da Mexilhoeira Grande, a 9 km de Portimão, existe um conjunto de vestígios pré-históricos, testemunhando a existência de uma das primeiras comunidades locais conhecidas do 4º e 3º milénio a.C.. Este conjunto pré-histórico é constituído por duas dezenas de sepulcros, um povoado central e cinco periféricos. O local apresentava uma gama ampla de recursos e factores naturais, como um vasto lençol de água que compreendia a ria de Alvor e a ribeira da Torre do Farelo e do Arão, que permitia a subsistência do grupo, justificando a escolha do espaço para a sua implantação. Aí praticavam actividades, tais como a agricultura, pastorícia, caça, marisqueio, pesca, moagem, tecelagem, olaria, metalurgia do cobre, entre outras. A necrópole evidencia-se pela grande riqueza e diversidade dos tipos de construção dos monumentos funerários, caracterizados por três formas distintas, designadas de hipogeu, anta e tholos. Dada a importância do conjunto foi classificado Monumento Nacional e o IPPAR restaurou e enquadrou os monumentos n.º7 e n.º9, que se encontram visitáveis através do Centro Interpretativo de Alcalar.

 

As Fábricas de Conservas
Em finais do século XIX, inícios do século XX, implantou-se nas margens do rio Arade um dos grandes centro industriais conserveiros do país, constituído pelas fábricas de Portimão, do Parchal, Ferragudo e Mexilhoeira, marcando o arranque desta indústria neste território. Relacionada com o incremento que a pesca da sardinha conhece, pelo menos desde o século XVI, e a importância que a sua comercialização assume nas rotas de comércio marítimo, sobretudo com o exterior, esta indústria nasce das formas mais rudimentares de alguns métodos de conservação do pescado, desde a Antiguidade utilizados pelas populações marítimas e que numa primeira fase se processou de acordo com 3 princípios: secagem, salga e fumagem. É neste contexto de conservação, nomeadamente do pescado, que o sal e a instalação de salinas em Portimão adquirem importância fundamental, remontando a sua existência a 1483, altura em que, o então senhor da vila, D. Gonçalo Vaz de Castelo Branco é autorizado por Dom João II, a construir umas marinasno Sapal. Estas, juntamente às de Alvor, por volta de 1600,  abasteciam Lagos e eram exportadas para Espanha, Itália e Grécia.
A primeira fábrica de conservas de peixe em azeite aí implantada foi iniciativa de um rico industrial e proprietário - João António Júdice Fialho, em 1891. A esta vir-se-ia juntar uma outra em 1903 - a São Francisco, desta feito de um industrial andaluz, D. Caetano Feu. Estes seriam dois dos mais importantes industriais conserveiros locais, fomentadores de modelos empresariais auto-suficientes que incluíam estaleiros, frota pesqueira e actividades complementares à produção das conservas e à pesca. O contexto da Primeira Grande Guerra foi de importância fulcral para o desenvolvimento desta indústria já que absorveu toda a produção de conservas, sobretudo para a França, sendo inclusivamente responsável por uma das primeiras alterações tecnológicas aí operadas, forçando as unidades fabris a equiparem-se com máquinas mais modernas. Assim, a indústria de conservas de peixe desenvolveu uma grande especialização e divisão técnica do trabalho o qual, se foi pouco a pouco mecanizando, conduzindo inclusivamente a grandes lutas sociais contra a introdução de máquinas, em especial das cravadeiras. Nesta altura, cerca de dois terços da população vive da pesca ou da indústria.

 

Turismo em Portimão

A Praia da Rocha

Portimão tem várias praias (a Praia da Rocha, a Praia dos Careanos, a Praia do Vau, a do "Alemão", a de "João de Aréns", a Prainha e a Praia dos Três Irmãos), todas com uma relativa fama, embora tenha sido a Praia da Rocha a que mais se destacou.
Considerada por muitos como a "rainha das praias algarvias", a Praia da Rocha foi o expoente máximo do turismo algarvio dos anos cinquenta aos nossos dias. Anteriormente já era tida como uma das mais bonitas praias algarvias, pelo recorte dos seus rochedos, pela luminosidade aí existente, pelo seu clima único e pelo seu mar calmo e tépido. Manuel Teixeira Gomes, evocou estas praias nas suas prosas, descrevendo as representações sensuais, estéticas, paisagistas em seu redor, a qualidade da areia e a amenidade da água, comparando-as às paisagens gregas e mediterrânicas.

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